Criar e publicar um plugin WordPress

Se você quer criar e publicar um plugin WordPress, saiba que é um processo que envolve programação, testes e algumas etapas burocráticas, mas é super gratificante! Um plugin pode estender as funcionalidades do WordPress de inúmeras maneiras, desde algo simples como um widget até um sistema complexo de e-commerce.


O que é um Plugin WordPress?

Em termos simples, um plugin WordPress é um software que contém um grupo de funções que podem ser adicionadas a um site WordPress. Ele “pluga” no seu site e adiciona novas funcionalidades ou estende as existentes, sem a necessidade de modificar o código central do WordPress. Isso é ótimo porque mantém seu site atualizável e seguro.


Pré-requisitos e Conhecimentos Necessários

Antes de mergulhar de cabeça, é importante ter uma boa base em algumas tecnologias:

  • PHP: É a linguagem de programação principal do WordPress. Você precisará de um bom conhecimento em PHP para criar a lógica do seu plugin.
  • HTML/CSS: Para a interface do usuário do seu plugin (por exemplo, páginas de configurações, shortcodes que geram conteúdo).
  • JavaScript/jQuery: Para funcionalidades interativas no front-end ou back-end do seu plugin.
  • MySQL: O WordPress usa MySQL para armazenar dados. Se seu plugin precisar armazenar informações, você vai interagir com o banco de dados.
  • Conhecimento do WordPress Codex e APIs: Entender como o WordPress funciona, seus hooks (ações e filtros), e suas APIs é crucial para criar um plugin robusto e compatível.

Etapas para Criar um Plugin WordPress

1. Planejamento e Ideia

  • Defina a funcionalidade: Qual problema seu plugin vai resolver? Qual funcionalidade ele vai adicionar? Seja o mais específico possível.
  • Pesquise: Alguém já criou um plugin similar? Se sim, você pode fazer algo melhor, mais leve, ou com funcionalidades extras?
  • Nome: Escolha um nome único e descritivo para seu plugin.

2. Estrutura Básica do Plugin

Todo plugin WordPress começa com uma pasta e um arquivo PHP principal.

  • Crie uma pasta com o nome do seu plugin dentro de wp-content/plugins/. Por exemplo, meu-plugin-incrivel/.
  • Dentro dessa pasta, crie um arquivo PHP com o mesmo nome da pasta (ou algo similar), como meu-plugin-incrivel.php. Este será o arquivo principal do seu plugin.

3. Cabeçalho do Plugin

O arquivo PHP principal precisa de um cabeçalho especial que o WordPress usa para identificar e exibir seu plugin na área de administração.

PHP

<?php
/*
Plugin Name: Meu Plugin Incrível
Plugin URI: https://seusite.com/meu-plugin-incrivel/
Description: Um plugin incrível que faz XYZ.
Version: 1.0.0
Author: Seu Nome
Author URI: https://seusite.com
License: GPL2
License URI: https://www.gnu.org/licenses/gpl-2.0.html
Text Domain: meu-plugin-incrivel
*/

// Seu código PHP começa aqui

Explicação dos campos:

  • Plugin Name: O nome que aparecerá na lista de plugins.
  • Plugin URI: O link para a página do seu plugin (no seu site ou no diretório do WordPress).
  • Description: Uma breve descrição do que o plugin faz.
  • Version: A versão atual do seu plugin.
  • Author: Seu nome ou o nome da sua empresa.
  • Author URI: Seu site ou perfil.
  • License: A licença sob a qual o plugin é distribuído (GPLv2 ou posterior é a mais comum para plugins WordPress).
  • Text Domain: Importante para internacionalização (tradução). Deve ser único e geralmente é o nome da sua pasta/arquivo principal.

4. Codificando seu Plugin

Agora é onde a mágica acontece!

  • Funções de Ativação e Desativação: Seu plugin pode precisar executar código quando é ativado ou desativado. Use as funções register_activation_hook() e register_deactivation_hook().PHP<?php // ... cabeçalho do plugin ... function meu_plugin_ativar() { // Código para executar na ativação (ex: criar tabelas no BD, opções) } register_activation_hook( __FILE__, 'meu_plugin_ativar' ); function meu_plugin_desativar() { // Código para executar na desativação (ex: limpar opções) } register_deactivation_hook( __FILE__, 'meu_plugin_desativar' );
  • Hooks (Ações e Filtros): O coração da extensibilidade do WordPress.
    • Ações: Usadas para executar código em pontos específicos do WordPress (ex: wp_enqueue_scripts para adicionar CSS/JS, admin_menu para adicionar páginas de administração).
    • Filtros: Usados para modificar dados antes que o WordPress os utilize ou exiba (ex: the_content para modificar o conteúdo do post).
    PHP<?php // ... // Exemplo: Adicionar um item ao menu de administração function meu_plugin_adicionar_menu() { add_menu_page( 'Configurações do Meu Plugin', // Título da página 'Meu Plugin', // Título do menu 'manage_options', // Capacidade necessária 'meu-plugin-slug', // Slug da página 'meu_plugin_pagina_config', // Função que renderiza a página 'dashicons-admin-generic', // Ícone 99 // Posição ); } add_action( 'admin_menu', 'meu_plugin_adicionar_menu' ); function meu_plugin_pagina_config() { ?> <div class="wrap"> <h1>Configurações do Meu Plugin</h1> <p>Bem-vindo à página de configurações do seu plugin!</p> </div> <?php }
  • Classes e Orientação a Objetos: Para plugins mais complexos, organize seu código em classes e use o paradigma de programação orientada a objetos (POO). Isso melhora a organização, reusabilidade e manutenção.
  • Segurança: Sempre saneie e valide a entrada do usuário ($_POST, $_GET) para prevenir vulnerabilidades como XSS e injeção de SQL. Use funções como sanitize_text_field(), esc_html(), wp_kses(), wpdb->prepare(). Use nonces para verificar a origem das requisições.
  • Internacionalização (i18n): Prepare seu plugin para ser traduzido. Use as funções de tradução do WordPress (__(), _e(), _n()).PHP<?php // No cabeçalho: Text Domain: meu-plugin-incrivel // No seu código: function meu_plugin_carregar_textdomain() { load_plugin_textdomain( 'meu-plugin-incrivel', false, dirname( plugin_basename( __FILE__ ) ) . '/languages/' ); } add_action( 'plugins_loaded', 'meu_plugin_carregar_textdomain' ); // Para strings: echo esc_html__( 'Olá Mundo!', 'meu-plugin-incrivel' );
  • Estrutura de Arquivos: Para plugins maiores, organize seus arquivos em subpastas:
    • includes/: Funções principais, classes.
    • admin/: Código específico da área de administração.
    • public/: Código específico do front-end.
    • assets/: CSS, JavaScript, imagens.
    • languages/: Arquivos de tradução (.pot, .po, .mo).

5. Teste Rigoroso

  • Teste em diferentes ambientes: Local (XAMPP, MAMP, Local by Flywheel), staging e produção.
  • Teste com diferentes temas: Seu plugin deve funcionar bem com qualquer tema, sem quebrar o layout.
  • Teste com outros plugins: Verifique se não há conflitos com plugins populares.
  • Teste de compatibilidade de versão: Teste com as versões mais recentes e algumas versões anteriores do WordPress.
  • Teste de desempenho: Certifique-se de que seu plugin não está deixando o site lento.
  • Debug: Use WP_DEBUG e logs de erro para identificar e corrigir problemas.

Publicando seu Plugin no Diretório do WordPress.org

Publicar seu plugin no diretório oficial é a melhor forma de atingir um público amplo. É gratuito e seu plugin será distribuído para milhões de usuários.

1. Requisitos para Publicação

Antes de submeter, certifique-se de que seu plugin atende aos requisitos do WordPress.org:

  • Licença GPLv2 ou posterior.
  • Não incluir links externos não relacionados à funcionalidade do plugin (a menos que seja absolutamente essencial).
  • Não incluir spam, malware ou código malicioso.
  • Segurança e boas práticas de codificação.
  • Conformidade com os padrões de acessibilidade do WordPress.
  • Não usar recursos externos que não sejam auto-hospedados (ex: APIs de terceiros precisam ser chamadas do seu servidor, não diretamente do site do usuário, a menos que seja um serviço bem conhecido como Google Maps API).

2. Preparando os Arquivos

  • Remova arquivos desnecessários: Remova arquivos de teste, .git, .DS_Store, etc.
  • Crie um arquivo readme.txt: Este arquivo é crucial. Ele usa um formato específico (baseado em Markdown) e é usado para gerar a página do seu plugin no WordPress.org.
    • Estrutura do readme.txt:Markdown=== Meu Plugin Incrível === Contributors: seus_nomes_de_usuario_do_wordpress Donate link: https://seusite.com/doar/ Tags: tag1, tag2, tag3 Requires at least: 5.0 Tested up to: 6.5 Stable tag: 1.0.0 License: GPLv2 or later License URI: https://www.gnu.org/licenses/gpl-2.0.html Um plugin incrível que faz XYZ. == Description == Uma descrição mais detalhada do seu plugin. Explique suas funcionalidades, para quem ele é, etc. == Installation == 1. Faça o upload da pasta `meu-plugin-incrivel` para o diretório `/wp-content/plugins/` 2. Ative o plugin através do menu 'Plugins' no WordPress 3. Configure o plugin em [link para sua página de configurações] == Frequently Asked Questions == = O que é XYZ? = Resposta para XYZ. == Screenshots == 1. screenshot-1.png 2. screenshot-2.png == Changelog == = 1.0.0 = * Lançamento inicial.
    • Capturas de tela (Screenshots): Prepare imagens PNG ou JPG que demonstrem seu plugin. Nomeie-as screenshot-1.png, screenshot-2.png, etc., e coloque-as na pasta assets/ (que deve estar na mesma pasta do seu readme.txt e do arquivo PHP principal).

3. Enviando seu Plugin

  • Crie uma conta no WordPress.org: Se você ainda não tem uma, crie em https://profiles.wordpress.org/register/.
  • Envie seu plugin: Vá para https://wordpress.org/plugins/developers/add/ e siga as instruções. Você precisará enviar um arquivo .zip contendo a pasta do seu plugin.
  • Revisão: Seu plugin passará por uma revisão manual da equipe do WordPress.org. Isso pode levar alguns dias ou até semanas. Eles verificarão se o plugin atende a todos os requisitos. Se houver problemas, eles entrarão em contato com você.

4. Gerenciando seu Plugin com SVN

Após a aprovação, seu plugin será hospedado em um repositório SVN (Subversion) no WordPress.org.

  • Você receberá acesso SVN para o seu plugin.
  • Para fazer atualizações, você fará um “checkout” do seu repositório SVN, fará as alterações nos arquivos, e então fará um “commit” das mudanças.
  • Estrutura do repositório SVN:
    • trunk/: Contém a versão mais recente (em desenvolvimento ou a próxima versão estável).
    • tags/: Contém as versões estáveis do seu plugin (ex: tags/1.0.0, tags/1.0.1).
    • assets/: Para imagens do readme.txt, banner, ícone do plugin.
  • Processo de atualização:
    1. Desenvolva a nova versão na sua máquina local.
    2. Atualize o Version no cabeçalho do arquivo PHP principal e o Stable tag no readme.txt.
    3. Copie os arquivos da nova versão para a pasta trunk/ do seu repositório SVN local.
    4. Crie uma nova tag na pasta tags/ (copiando os arquivos de trunk/ para tags/nova-versao).
    5. Faça o svn commit das alterações.

5. Promoção e Suporte

  • Promova seu plugin: Divulgue em seu site, redes sociais, blogs, etc.
  • Ofereça suporte: Responda às perguntas dos usuários no fórum de suporte do seu plugin no WordPress.org. Um bom suporte é crucial para a reputação do seu plugin.
  • Mantenha atualizado: O WordPress é constantemente atualizado. Mantenha seu plugin compatível com as versões mais recentes e adicione novas funcionalidades com base no feedback dos usuários.

Ferramentas Úteis

  • IDE/Editor de Código: VS Code, Sublime Text, PhpStorm.
  • Ambiente de Desenvolvimento Local: XAMPP, MAMP, Local by Flywheel, Docker.
  • Ferramentas de Controle de Versão: Git (você ainda usará SVN para o WordPress.org, mas pode gerenciar seu projeto com Git localmente e depois sincronizar).
  • Debug Bar: Plugin que adiciona um menu de depuração ao seu painel de administração.
  • Theme Check e Plugin Check: Plugins que verificam se seu código segue os padrões do WordPress.

Criar e publicar um plugin WordPress é uma jornada de aprendizado contínuo. Comece com algo pequeno, entenda os fundamentos e, aos poucos, você construirá plugins mais complexos e úteis! Boa sorte!

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